sábado, 8 de outubro de 2016

Leishmania sp

O gênero Leishmania está envolvido num espectro de doenças tegumentares e viscerais, de caráter crônico, muitas vezes deformante e até fatal, transmitidas por flebotomíneos. A doença apresenta casos esporádicos e está associada à degradação ambiental, pois a adaptação do vetor, tipicamente silvestre, ao meio urbano, tem facilitado a infecção humana. Com mais de 12 milhões de infectados em todo o mundo, esta zoonose encontra-se em franca expansão no Brasil, ocorrendo de forma endêmica no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Devido ao grande número, as espécies de Leishmania foram classificadas em complexos, de acordo com os quadros clínicos que produzem.

Biologia do parasito

Nas Américas, o homem se infecta quando um flebotomíneo do gênero Lutzomyia (conhecido vulgarmente como “mosquito-palha”, “cangalhinha”, “birigui”) inocula formas promastigotas durante seu repasto sangüíneo. Estas formas são fagocitadas por macrófagos teciduais e convertem-se em amastigotas (forma intracelular do hospedeiro vertebrado). Estas se reproduzem por divisão binária, até que a célula hospedeira fique repleta de parasitos e se rompa. Com a destruição da célula, inúmeras amastigotas são liberadas e fagocitadas por outros macrófagos, dando continuidade aos ciclos de reprodução assexuada. O vetor, por sua vez, se infecta durante a hematofagia quando ingere células parasitadas por amastigotas as quais, ao chegarem no intestino do flebotomíneo, transformam-se em promastigotas. Estas invadem as porções anteriores do estômago e do proventrículo do mosquito, sendo inoculadas no hospedeiro vertebrado após o próximo repasto do vetor.

Patogenia e prevenção

Os parasitos do gênero Leishmania determinam doenças do sistema fagocítico mononuclear que apresentam características clínicas e epidemiológicas diversas, por isso foram reunidas em quatro grupos:


  • Leishmaníase cutânea - produz exclusivamente lesões cutâneas limitadas.



  • Leishmaníase cutâneo-mucosa - freqüentemente se complicam pelo aparecimento de lesões destrutivas em algumas mucosas.



  • Leishmaníase visceral ou Calazar - o parasito tem tropismo pelo sistema fagocítico mononuclear de órgãos como o fígado, o baço e a medula, que se tornam hipertrofiados.



  • Leishmaníase cutânea difusa - formas cutâneas disseminadas.


A ação patogênica do parasito está relacionada com a destruição celular provocada pela reprodução das formas amastigotas. Na fase inicial da doença, a multiplicação do protozoário nas proximidades do ponto de inoculação provoca uma reação inflamatória caracterizada pela formação de um pequeno nódulo.  A partir daí, dependendo da espécie de Leishmania e da resposta do hospedeiro, a doença poderá evoluir de forma benigna, com remissão dos sintomas, ou evoluir para as diferentes manifestações clínicas.

O diagnóstico laboratorial da Leishmaníase tegumentar, na maior parte das vezes, é feito através de exame direto das lesões, sendo que a evolução da doença pode ser acompanhada através de intradermorreação de Montenegro. Já na forma visceral, o diagnóstico pode ser feito através de biópsia ou de isolamento em cultura e também podem ser usadas provas imunológicas como ELISA, imunofluorescência e intradermorreação.
Também pode ser por sorologia, utilizando imunofluorescência indireta [IFI]

Além do tratamento dos doentes, as medidas de controle das leishmaníases baseiam-se no:

  • combate aos flebotomíneos 
  • eliminação dos cães portadores do parasito, pois esta espécie animal é um importante reservatório da leishmaníase visceral com a adaptação do vetor ao meio urbano.
Tratamento

O preconizado pelo Ministério da saúde indica o emprego de antimoniais pentavalentes [N-metilglucamina/glucantime] 15mg/SbV/kg/dia com controle clínico.

Assista ao vídeo

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